
A conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping, realizada nesta segunda (11), vai muito além da cordialidade diplomática. Trata-se de um gesto simbólico e, ao mesmo tempo, pragmático, que se insere em um novo contexto geopolítico no qual países em desenvolvimento precisam ampliar sua voz e coordenar esforços frente às tensões do comércio global.
A China, já consolidada como o principal parceiro comercial do Brasil, não é apenas um destino para nossas exportações de soja, minério e petróleo. É também um polo tecnológico e industrial com o qual o Brasil pode e deve estreitar cooperação em setores estratégicos, como energia limpa, economia digital, infraestrutura e inovação.
Em um mundo que presencia a volta do protecionismo, como mostram as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, a articulação com Pequim é também um ato de afirmação da autonomia brasileira. O fortalecimento do multilateralismo, defendido tanto no G20 quanto no BRICS, é o caminho mais sensato para que países do Sul Global ampliem sua capacidade de influenciar a agenda internacional.
A aproximação entre Brasília e Pequim não significa romper pontes com outros parceiros, mas diversificar alianças e reduzir vulnerabilidades. O Brasil tem muito a ganhar ao se posicionar como mediador e articulador entre diferentes blocos, aproveitando sua credibilidade diplomática e a complementaridade econômica com a China. Mais do que uma relação comercial, trata-se de uma parceria estratégica, com potencial para definir o rumo do desenvolvimento brasileiro nas próximas décadas. Se soubermos aproveitar essa convergência, poderemos transformar conjunturas adversas em oportunidades históricas.




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