O noticiário internacional desta semana trouxe à tona algo que já não é mais segredo: Donald Trump e sua turma seguem mirando a política brasileira. As sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos não são apenas medidas econômicas isoladas, mas sim parte de uma engrenagem de pressão política que lembra velhas práticas de “mudança de regime” tão comuns na história da América Latina.

O governo Lula enxerga, com razão, que o jogo é maior do que aparenta. Não se trata apenas do julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo, marcado para setembro. Trump atua para manter influência direta no nosso país, de olho em 2026. O recado é claro: se Lula vencer novamente, não faltarão vozes questionando a legitimidade das urnas brasileiras, tal qual aconteceu nos Estados Unidos em 2020.

A peça se encaixa ainda mais quando lembramos das declarações recorrentes de Eduardo Bolsonaro, repetindo quase como papagaio que, sem seu pai candidato, os EUA não reconheceriam nossas eleições. É a internacionalização do bolsonarismo, com Trump e sua máquina de fake news atuando como fiadores de uma extrema-direita que não aceita perder no voto.

Não é coincidência que, em outros países, a diplomacia norte-americana de Trump tenha adotado a mesma cartilha: atacar líderes progressistas e blindar aliados conservadores. Da Colômbia à Argentina, o roteiro é o mesmo: criminalizar adversários e relativizar abusos da direita. O Brasil precisa estar atento. Essa ingerência externa não é apenas retórica, ela ameaça diretamente nossa soberania. A cada movimento de Trump, fica mais claro que 2026 não será apenas uma eleição nacional: será também um teste para saber se a democracia brasileira resiste à ofensiva de fora e de dentro.

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