
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), oficializou sua pré-candidatura à presidência da República e escolheu como bandeira um discurso marcado pela intolerância e pela tentativa de reforçar a polarização política no país. Sua declaração de que pretende “varrer o PT do mapa” não é apenas infeliz, mas também perigosa para a democracia brasileira.
Quando um pré-candidato a presidente utiliza a retórica da exclusão, em vez de apresentar propostas concretas para os graves problemas que o Brasil enfrenta, ele revela mais sobre seu projeto de poder do que sobre um projeto de país. O PT, goste-se ou não, é um partido político legítimo, com uma história de vitórias e derrotas nas urnas, que representa milhões de brasileiros. Tentar “varrer” uma força política significa, em última instância, tentar calar parte da sociedade.
A democracia é, justamente, o espaço onde diferentes ideias convivem e disputam legitimamente o apoio popular. Não cabe a nenhum governante ou candidato definir quem deve ou não existir no jogo político. Ao apostar em palavras de ordem que flertam com o autoritarismo e o ódio, Zema mostra que não pretende unir o Brasil, mas sim aprofundar divisões.
O país precisa de líderes que apresentem soluções para questões como a fome, o desemprego, a crise climática e a desigualdade social. O eleitor brasileiro merece ouvir propostas claras sobre saúde, educação, segurança e economia – e não frases de efeito que reduzem a política ao “nós contra eles”.
Se Romeu Zema deseja se apresentar como alternativa nacional, precisará trocar o discurso da intolerância pela defesa da convivência democrática. Caso contrário, corre o risco de se juntar a outros nomes que preferiram o caminho fácil da polarização e acabaram sendo lembrados apenas pela retórica vazia e pelas derrotas nas urnas.




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