O Senado aprovou o chamado “ECA Digital”, projeto que impõe novas regras às plataformas para proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual. A proposta nasceu de uma preocupação urgente: a “adultização” precoce de menores expostos às redes sociais, jogos e conteúdos que deveriam estar muito longe do alcance deles.

É inegável que a internet democratizou o acesso à informação e abriu portas para novas formas de aprendizado e interação. Mas também é fato que virou terreno fértil para exploração, violência, pedofilia, publicidade predatória e estímulos consumistas que atingem os mais vulneráveis. Criança não tem maturidade para lidar com o algoritmo de uma big tech que só pensa em engajamento e lucro.

O ECA Digital não resolve tudo, mas é um passo importante. Obrigar plataformas a criarem mecanismos de proteção, banir práticas como as “loot boxes” em jogos e proibir publicidade direcionada a menores são medidas que podem diminuir os riscos. Mais que isso: obrigam empresas bilionárias a reconhecerem que têm responsabilidades sociais no Brasil.

Há quem critique, dizendo que se trata de censura ou excesso de regulação. Mas a pergunta que precisamos fazer é simples: queremos que nossos filhos sejam tratados como consumidores em potencial ou como cidadãos em formação? Regular não é cercear a liberdade, é proteger quem ainda não tem condições de se defender sozinho.

Se o mundo real tem regras para proteger crianças, o mundo virtual não pode continuar funcionando como um faroeste digital. A infância precisa ser preservada — e cabe ao Estado, à sociedade e às famílias garantir que a tecnologia seja uma aliada, não uma ameaça.

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