
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia amanhã o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus do chamado “núcleo 1” da tentativa de golpe após as eleições de 2022 — entre eles, cinco oficiais-generais de quatro estrelas. É a primeira vez na história do país que militares de alta patente respondem formalmente por crimes ligados a uma ruptura institucional.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os acusados devem responder por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada e dano ao patrimônio público.
Para o cientista político Jorge Chaloub (UFRJ), o julgamento rompe um padrão histórico de impunidade militar que atravessa mais de um século. Ele lembra que, desde 1889, as Forças Armadas se colocaram como “poder moderador”, intervindo em posses presidenciais, como em 1955, e impondo a ditadura de 1964.
Chaloub avalia que, embora o bolsonarismo tenha atualizado essa tradição autoritária, a tentativa de 2023 contou com apoio social restrito, diferente do golpe de 1964. Ainda assim, Bolsonaro estimulou setores militares e da baixa classe média com discurso de ruptura e invocando, de forma distorcida, o artigo 142 da Constituição.




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