
A fala do advogado Andrew Fernandes, que defende o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal, acabou ganhando repercussão muito além da estratégia de defesa do militar.
Em sua sustentação, Dr. Andrew afirmou que seu cliente “a todo tempo tentou demover Bolsonaro do que vinha sendo feito naquele momento, ou seja, de qualquer medida que representasse uma ruptura democrática”. A declaração, vista sob a ótica jurídica, buscava demonstrar que Paulo Sérgio não compactuou com intenções golpistas. No entanto, para boa parte dos analistas, a fala teve um efeito colateral devastador: escancarou que havia, sim, dentro do governo, uma articulação de ruptura democrática liderada pelo próprio Jair Bolsonaro.
Juristas interpretaram o discurso como uma verdadeira entrega da cabeça do ex-presidente. Isso porque, ao tentar proteger o general, a defesa acabou confirmando a narrativa de que Bolsonaro estava decidido a romper com a ordem institucional, e que ministros precisaram contê-lo em mais de uma ocasião.
A cena revela dois pontos importantes: primeiro, que a defesa de investigados começa a se distanciar de Bolsonaro, preferindo responsabilizá-lo a assumir o risco de se comprometer juridicamente; segundo, que a retórica de “mito” e “líder inabalável” vai se esfarelando, substituída pela imagem de um presidente isolado, descontrolado e sem apoio até mesmo entre seus generais mais próximos.
A fala de Dr. Andrew, mesmo sem a intenção explícita, deixa Bolsonaro ainda mais exposto diante do STF e da opinião pública. Mais do que uma defesa técnica, foi um gesto simbólico: um de seus principais aliados no poder agora aparece como alguém que tentou impedi-lo e não como cúmplice de suas aventuras golpistas.




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