A declaração da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta terça-feira (9), é grave e preocupante. Ao afirmar que Donald Trump estaria disposto a usar até mesmo meios militares para “proteger a liberdade de expressão” no caso de Jair Bolsonaro, o governo norte-americano flerta com um discurso perigoso, que coloca em xeque a soberania brasileira.

Primeiro, é preciso deixar claro: o julgamento de Bolsonaro e seus aliados no Supremo Tribunal Federal é uma questão interna do Brasil, conduzida dentro da legalidade e das instituições democráticas do país. Qualquer tentativa de interferência externa soa como ingerência inaceitável nos rumos da Justiça brasileira.

Em segundo lugar, a fala da secretária banaliza o conceito de liberdade de expressão. Bolsonaro não está sendo julgado por falar o que pensa, mas por atos concretos que atentaram contra a democracia, incluindo a tentativa de golpe em 2022. Transformar isso em uma narrativa de censura é manipulação política.

A nota do Itamaraty foi firme e correta ao repudiar ameaças de uso da força e ao lembrar que defender a democracia é o verdadeiro caminho para proteger a liberdade de expressão. Democracia e soberania caminham juntas. O Brasil não pode aceitar que um governo estrangeiro, seja dos EUA ou de qualquer outro país, tente instrumentalizar processos judiciais internos para atender a interesses políticos externos. O que está em jogo não é apenas um julgamento, mas a defesa das nossas instituições e da vontade popular expressa nas urnas.

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