O alerta feito recentemente pelo ex-presidente Barack Obama, após o assassinato de um ativista ligado a Donald Trump, escancara algo que não é exclusivo dos Estados Unidos: a forma como o radicalismo político pode corroer a democracia de dentro para fora. Obama lembrou que, em momentos de crise, presidentes republicanos do passado buscaram preservar a unidade nacional, postura que contrasta brutalmente com a de Trump, que insiste em usar o ódio como combustível político.

Esse paralelo é inevitável quando olhamos para o Brasil. Desde o surgimento do bolsonarismo, vemos uma lógica semelhante: transformar adversários em inimigos mortais, atacar instituições democráticas, deslegitimar eleições, espalhar teorias conspiratórias e alimentar a violência política. Assim como Trump, Bolsonaro e seus seguidores apostam no caos e na divisão como estratégia de poder, pouco se importando com as consequências para a sociedade.

Enquanto Obama recorda que até George W. Bush, um republicano conservador, se esforçou para evitar que os EUA mergulhassem em uma guerra religiosa após o 11 de Setembro, Bolsonaro sempre estimulou a demonização de quem pensa diferente. O resultado é um país mais polarizado, onde o extremismo contamina desde o debate público até as relações pessoais.

O que está em jogo, tanto lá quanto aqui, é mais do que uma disputa eleitoral: é a sobrevivência da convivência democrática. O bolsonarismo, assim como o trumpismo, não aceita perder, não reconhece regras, não respeita instituições. É um projeto que precisa do conflito permanente para existir.

Diante disso, cabe ao Brasil decidir se vai aprender com os erros recentes da democracia americana ou se seguirá a mesma cartilha da intolerância, permitindo que o radicalismo corroa, pouco a pouco, o tecido democrático que ainda nos resta.

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