
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobe, daqui a pouco, às 10h (horário de Brasília) à tribuna da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para fazer o discurso de abertura da cúpula, uma tradição reservada ao Brasil desde 1947. A fala de Lula é aguardada com atenção pela comunidade internacional e deve girar em torno de três grandes eixos: mudanças climáticas, combate à fome e a defesa da solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina.
Na pauta climática, Lula deve reforçar a cobrança aos países desenvolvidos por mais financiamento e responsabilidade histórica na redução de emissões de carbono. O presidente deve mencionar a COP30, que será realizada em Belém, no Pará, em novembro próximo, e o papel do Brasil como protagonista na agenda ambiental global.
Outro ponto central será o combate à fome e à desigualdade, bandeiras que Lula vem levando a fóruns internacionais desde o início de seu mandato. A expectativa é que ele faça um apelo por maior solidariedade global diante das crises humanitárias agravadas por guerras e eventos climáticos extremos.
O tema mais sensível do discurso deve ser a defesa da Palestina. Lula já adiantou que apoiará de forma enfática a solução de dois Estados como único caminho para a paz, em sintonia com a conferência internacional organizada por França e Arábia Saudita durante a semana da ONU. A fala pode gerar tensões diplomáticas, sobretudo diante do posicionamento dos Estados Unidos e de aliados de Israel.
Além disso, não está descartada uma crítica ao sistema internacional de poder, especialmente ao uso do veto no Conselho de Segurança da ONU. Lula deve insistir na necessidade de reforma do multilateralismo, tema recorrente em suas falas nos últimos anos.
Nos bastidores, há expectativa também sobre um possível encontro entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump, que discursa no mesmo dia. Mesmo sem agenda confirmada, o eventual cruzamento entre os dois líderes chama atenção devido às recentes tensões comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
A presença de Lula em Nova York, acompanhado de ministros e especialistas, consolida o esforço do governo em recolocar o Brasil como voz ativa no cenário global. Resta saber até que ponto seu discurso encontrará ressonância prática em um mundo marcado por polarizações políticas, crises humanitárias e desafios climáticos cada vez mais urgentes.




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