Há um ditado popular que nunca envelhece: “o mundo dá voltas”. Pois bem, parece que ele foi escrito sob medida para o ex-juiz Sergio Moro. Aquele mesmo que, com ares de paladino da justiça, mandou prender Lula, desfilou como herói da Lava Jato e depois se aventurou pela política como se fosse intocável. Hoje, ironicamente, está no banco dos réus e prestes a ser julgado no Supremo Tribunal Federal. E mais: por ninguém menos que Cristiano Zanin, o advogado que passou anos desmontando as arbitrariedades do próprio Moro.

Sim, leitor, o mundo não apenas gira, ele capota.

Em 2022, em plena festinha junina, entre um gole de quentão e uma piada de mau gosto, Moro resolveu brincar dizendo que habeas corpus do ministro Gilmar Mendes poderia ser “comprado”. A cena caiu nas redes sociais e, como não poderia deixar de ser, virou munição contra o ex-juiz. A Procuradoria-Geral da República não achou graça nenhuma e denunciou o senador por calúnia, lembrando que acusar um ministro do STF de corrupção não é exatamente um “arraiá da democracia”.

Agora, se a pena passar de quatro anos, o outrora “herói da Lava Jato” pode perder o mandato de senador. Olha só que ironia: o homem que se especializou em cassar direitos políticos pode ver os seus escorrendo pelo ralo.

E a defesa de Moro? Bem, essa apela para o argumento mais criativo possível: foi só uma “brincadeira”. Brincadeira, aliás, que pode custar não apenas o mandato, mas também o último fiapo de credibilidade que lhe restava.

O mais saboroso dessa história é o simbolismo: Lula foi preso por decisão de Moro, passou 580 dias na cadeia, até que o STF anulasse tudo. Hoje, Lula é presidente, Zanin é ministro da Suprema Corte e Moro é réu. Parece roteiro de novela, mas é só a vida mostrando que, sim, ninguém fica eternamente no topo.

Moro talvez nunca tenha ouvido, mas vale lembrar: “cuidado com os degraus que você pisa ao subir, porque são os mesmos que vai encontrar quando descer”.

E se tem algo que esse caso ensina é que o mundo não apenas dá voltas, às vezes, ele dá piruetas espetaculares.

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