
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que segundo seus filhos estaria debilitado devido a uma crise de soluço seguida de vômitos, parece ter se recuperado milagrosamente em poucas horas. A narrativa dramática divulgada por aliados nesta segunda-feira (29) perdeu força quando Bolsonaro foi flagrado sorridente e bem disposto na porta de sua mansão em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar, após receber a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A discrepância entre o relato de Carlos Bolsonaro e a cena registrada levanta questionamentos sobre o real estado de saúde do ex-mandatário e, principalmente, sobre o objetivo das sucessivas tentativas de vitimização pública promovidas por seu grupo político.
Não é a primeira vez que Bolsonaro recorre ao velho roteiro do “político adoecido” em momentos de pressão judicial. A estratégia já se tornou familiar: primeiro a divulgação de um quadro clínico grave, depois fotos em hospital ou relatos alarmistas nas redes; logo em seguida, aparições públicas que desmentem qualquer sinal de fragilidade.
Enquanto parte da base bolsonarista tenta construir uma imagem de líder perseguido e debilitado, as câmeras mostram o contrário: um preso doméstico que recebe visitas ilustres e posa para fotos sorrindo em frente à própria mansão. Se a intenção era gerar comoção, o tiro pode ter saído pela culatra. Afinal, quem está realmente preocupado com a saúde não costuma organizar “meet and greet” no portão de casa.
Entre soluços e sorrisos, fica a dúvida: o que está em crise: o estômago de Bolsonaro ou a credibilidade de seu discurso?




Deixe um comentário