Neste 5 de outubro, a Constituição Federal de 1988 completou 37 anos. Mais do que uma data simbólica, trata-se de um marco histórico que redefiniu o Brasil, garantindo direitos e consolidando a democracia após duas décadas de regime militar. Foi a primeira vez, em décadas, que o povo pôde olhar para o Estado e enxergar nele não apenas uma máquina de poder, mas uma ferramenta para a promoção da justiça social.
A chamada “Constituição Cidadã” nasceu de um processo plural, com intensa participação popular. Milhares de propostas chegaram à Assembleia Constituinte e ajudaram a construir um texto que ampliou direitos sociais, consolidou garantias fundamentais e fortaleceu a cidadania. Dela nasceram conquistas como o Sistema Único de Saúde (SUS), a criminalização do racismo, a igualdade entre homens e mulheres, a proteção ao meio ambiente e o reconhecimento da diversidade cultural brasileira.
Ao longo desses 37 anos, a Constituição passou por emendas, ajustes e reformas, algumas necessárias, outras polêmicas. Mas a essência do texto segue viva: a defesa da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da igualdade e da democracia como valores inegociáveis.
Não é por acaso que, nos momentos mais tensos da vida política nacional, seja diante de tentativas autoritárias, de ataques às instituições ou de crises sociais, é a Constituição que se ergue como escudo. Ela é o pacto que nos mantém unidos e que dá voz aos que, no passado, foram silenciados.
Celebrar seus 37 anos é também assumir a responsabilidade de defendê-la. Porque toda conquista democrática é fruto de luta e pode ser ameaçada se não houver vigilância e mobilização. A Constituição de 1988 nos deu muito, mas cabe a cada geração cuidar para que seus princípios não sejam corroídos pelo descaso ou pelo autoritarismo.
Se hoje podemos falar livremente, votar, recorrer à Justiça, exigir saúde, educação e direitos sociais, é porque há 37 anos o Brasil escolheu caminhar pela democracia. Que essa escolha seja reafirmada todos os dias.




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