A decisão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados de absolver Eduardo Bolsonaro é mais do que um erro político, é um retrato fiel da crise moral que corrói as instituições brasileiras. O parlamentar, que simplesmente abandonou o país em fevereiro, passando a viver confortavelmente nos Estados Unidos, foi poupado de qualquer punição mesmo diante de condutas que afrontam o decoro parlamentar e o respeito ao mandato público.
Enquanto desfruta do seu exílio dourado, o filho do ex-presidente condenado segue recebendo religiosamente seu salário de deputado federal, pago com o dinheiro do povo que ele despreza. E o mais grave: de fora do país, atua como uma espécie de agitador internacional, promovendo ataques contra o Brasil, suas instituições e autoridades, em especial à política externa e à credibilidade econômica nacional.
O Conselho de Ética, que deveria zelar pela dignidade do Parlamento, optou mais uma vez pela conveniência política. A maioria de seus membros seguiu o relator e arquivou o pedido de cassação, demonstrando que, no Brasil, o corporativismo parlamentar continua a ser mais forte do que qualquer compromisso com a ética pública.
A absolvição de Eduardo Bolsonaro é um vexame institucional, um tapa na cara do cidadão que paga impostos e que ainda acredita que a Câmara dos Deputados possa servir de exemplo. O recado é claro: pode-se abandonar o país, faltar ao trabalho, atacar o próprio governo e ainda assim manter privilégios e imunidades.
Enquanto isso, professores, médicos e servidores comuns são punidos com rigor por muito menos. É a velha máxima da política nacional: para os poderosos, condescendência; para o povo, a cobrança implacável.
O episódio expõe, mais uma vez, a necessidade urgente de reformar os mecanismos de responsabilização parlamentar. Um Congresso que se recusa a punir quem desrespeita a própria nação não é uma casa do povo, é um abrigo de impunidade.
No caso de Eduardo Bolsonaro, o Conselho de Ética perdeu a chance de afirmar valores republicanos e dar um exemplo de responsabilidade. Preferiu, como de costume, calar diante do absurdo e proteger os seus.




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