O Povoado Trangola, em Currais Novos, viveu um momento de profundo resgate da sua identidade no último fim de semana, com a reinauguração do Museu Histórico Vicente Firmino. Mais do que a abertura de um espaço físico, o que se celebrou foi a valorização da memória coletiva de uma comunidade rural que guarda parte importante da história de Currais Novos, incluindo registros de famílias tradicionais da região e lembranças de quem viveu a infância naquele lugar.

A iniciativa foi organizada pelo professor e pesquisador Dr. Eduardo Cristiano Hass da Silva, do curso de Turismo da UFRN/FELCS, que coordena ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à preservação da memória local. O projeto busca dar novo fôlego a um espaço que guarda fotografias, objetos, documentos e relatos que ajudam a compreender a formação social, cultural e afetiva do Trangola.

O evento reuniu moradores, lideranças comunitárias e estudantes envolvidos no projeto. De acordo com o professor Eduardo Cristiano, a reinauguração foi marcada pela emoção e pela forte participação popular. “Foi um momento muito bonito e intenso. Mobilizamos boa parte do povoado, organizamos uma sala dedicada à memória da noite e vivemos uma celebração que ainda estou processando”, relatou.

Para quem tem sua história diretamente ligada ao Trangola, como famílias que aparecem nos registros do museu e pessoas que passaram parte da infância na comunidade, a reabertura ganha um significado ainda maior: é como revisitar lembranças, reconhecer rostos, sobrenomes, costumes e ambientes que ajudam a construir a própria identidade.

A reorganização do espaço contou também com apoio institucional. O professor destaca a parceria com a Prefeitura de Currais Novos e lembra que o museu só se tornou viável após a aprovação de uma emenda parlamentar do vereador João Gustavo, que destinou recursos para a estrutura física e a montagem do acervo. “Eu já me sinto parte do museu. Ver esse projeto ganhar forma é gratificante para todos nós”, afirmou.

Com a reinauguração, o Museu Histórico Vicente Firmino se consolida como um importante guardião da memória do Trangola, preservando personagens, histórias, objetos e tradições que contam a trajetória da comunidade rural e de suas famílias. Em tempos em que o mundo muda rápido, o museu se torna um lugar de resistência simbólica: um espaço onde o passado é cuidado com carinho, reconhecido como patrimônio afetivo e cultural, e colocado à disposição das novas gerações.

Mais do que um ponto de visitação, o museu é um convite para que moradores, antigos e atuais, revisitem suas raízes, se reconheçam nas histórias ali contadas e mantenham vivo o vínculo com o Povoado Trangola – um lugar que, para muitos, foi e continua sendo sinônimo de casa, família e infância.

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