A noite desta terça-feira (09) ficou marcada por mais um triste episódio da política brasileira. O plenário da Câmara dos Deputados virou palco de intensa confusão após o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupar a cadeira da Presidência durante um protesto. A reação foi imediata: policiais legislativos entraram no plenário e retiraram o parlamentar à força, em uma cena que rapidamente se espalhou pelas redes sociais.

Independentemente das motivações do protesto de Glauber, o que chama atenção é o tratamento absolutamente distinto dado a situações semelhantes ocorridas recentemente na própria Casa.

Em agosto, um grupo de deputados bolsonaristas bloqueou o funcionamento do plenário por mais de 30 horas, impedindo votações e paralisando os trabalhos. Na ocasião, mesmo com o transtorno instalado, a abordagem da segurança da Câmara foi bem mais branda, marcada por negociações demoradas e nenhuma ação física para dispersar os parlamentares.

A disparidade expõe um desconfortável questionamento: por que alguns parlamentares são tratados com rigor extremo enquanto outros recebem tolerância quase ilimitada? O episódio reacende o debate sobre seletividade institucional, uso político das estruturas da Casa e a urgência de que regras e limites sejam aplicados com isonomia, seja qual for o espectro ideológico envolvido.

Mais do que um embate momentâneo, a confusão desta terça revela o estado de tensão permanente em Brasília e o desgaste crescente das instituições diante de um Congresso cada vez mais polarizado.

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