A mais nova “polêmica” fabricada pela extrema direita brasileira envolve um comercial das Havaianas estrelado por Fernanda Torres. Bastou a atriz, reconhecida internacionalmente, premiada e respeitada por sua trajetória artística, aparecer em uma peça publicitária para que políticos e militantes da extrema direita passassem a gritar “boicote”, “lacração” e outras palavras de ordem vazias que já viraram marca registrada desse campo político.

A interpretação que esses grupos fizeram do comercial beira o ridículo e a imbecilidade. Onde há humor, criatividade e identidade cultural brasileira, a extrema direita enxerga conspiração ideológica. Onde existe arte e publicidade, eles veem ameaça. Trata-se de uma leitura tão forçada quanto intelectualmente precária.

O episódio escancara algo que já está evidente há tempos: a pobreza de pautas da direita brasileira. Quando não está ocupada defendendo criminosos travestidos de “perseguidos políticos”, relativizando golpes, ataques à democracia e corrupção, a extrema direita se dedica a atacar artistas, professores, jornalistas e agora… sandálias.

Não é apenas uma questão política, é também moral e psicológica. A reação ao comercial revela uma moral seletiva, que se indigna com uma atriz, mas silencia diante da violência, da desigualdade e do autoritarismo, e uma psicologia infantilizada, incapaz de lidar com diferenças, ironia ou pensamento simbólico. Tudo precisa ser reduzido a um inimigo imaginário para manter a base permanentemente em estado de histeria.

Enquanto isso, o Brasil real segue em movimento. Apesar das dificuldades em alguns setores, o país vem demonstrando capacidade de reação e retomada. Há desafios, sim, mas há também dados, trabalho e resultados concretos, algo que passa longe das preocupações dessa direita barulhenta.

As críticas ao comercial das Havaianas não são sobre Fernanda Torres ou sobre a marca. Ele diz muito mais sobre a extrema direita brasileira: uma direita ressentida, intelectualmente frágil e politicamente irrelevante quando se trata de oferecer soluções. No fim das contas, esse “protesto” não passa de mais um espetáculo patético de quem transformou a política em birra permanente.

Deixe um comentário

Desenvolvido por Civitasbr