
A exploração de ouro iniciada em 2025 já colocou o Rio Grande do Norte em um novo patamar no comércio exterior. Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), o mineral somou US$ 91,2 milhões em exportações, garantindo o 4º lugar no ranking geral do Estado e representando 8,4% de todas as vendas externas potiguares no ano.
O desempenho expressivo está diretamente ligado ao início das operações do Projeto Aura Borborema, em Currais Novos, atualmente o único empreendimento de extração de ouro em atividade no RN. Mesmo com pouco mais de seis meses de operação, o ouro respondeu por 94% das exportações do grupo de pedras e metais preciosos, que cresceu 1.688% em relação a 2024, saltando de US$ 5,4 milhões para US$ 96,5 milhões.
Em 2025, o total das exportações potiguares fechou em US$ 1,08 bilhão. A expectativa da Sedec é de que, já em 2026, a mina opere em capacidade plena, com produção estimada em 83 mil onças de ouro por ano, o que pode colocar o mineral muito próximo do petróleo, hoje o principal item da pauta exportadora do Estado.
Além do impacto nas exportações, o ouro foi o principal responsável pelo aumento da arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Em 2025, o RN arrecadou R$ 12,64 milhões em CFEM, sendo R$ 6,96 milhões oriundos exclusivamente da produção de ouro em Currais Novos. Desse total, cerca de R$ 4,1 milhões ficaram com o município e R$ 1,04 milhão com o Estado.
O projeto também gera forte impacto econômico regional, com cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos, número que pode crescer com a ampliação da área de exploração. A Aura Minerals negocia com o Dnit um desvio da BR-226 para acessar um novo depósito de ouro, o que pode estender a vida útil da jazida de 11 para até 30 anos.
Especialistas apontam ainda que o cenário internacional favorece o setor, impulsionado pela alta do preço do ouro no mercado global. Já o debate sobre terras raras começa a ganhar espaço no RN, mas ainda depende de estudos mais aprofundados e, sobretudo, de uma política que priorize o beneficiamento dos minerais, evitando a simples exportação de commodities.




Deixe um comentário