
Há comportamentos na vida pública que não configuram propriamente um escândalo, porque para isso seria necessário algum grau de relevância. O que se vê, em certos casos, é apenas a manifestação ruidosa da insignificância política. Quando um vereador da capital do estado decide atravessar quase 200 quilômetros não para exercer fiscalização legítima, mas para propagar inverdades e provocar conflitos em municípios alheios ao seu mandato, o episódio deixa de ser político e passa a ser clínico.
Foi o que fez no último final de semana, o vereador natalense Matheus Faustino, do União Brasil, parece padecer de uma confusão elementar sobre a natureza do cargo que ocupa. Incapaz de compreender os limites institucionais do próprio mandato e, ao que tudo indica, também a complexidade mínima da administração pública, resolveu assumir o papel de fiscal itinerante de gestões que não o elegeram, não o devem satisfações formais e não carecem de sua tutela improvisada.
Trata-se de um parlamentar que, diante dos problemas crônicos de Natal, prefere o conforto da polêmica fabricada longe de casa. Uma escolha reveladora: quando o enfrentamento real exige estudo, trabalho e responsabilidade, opta-se pelo espetáculo raso, pela acusação fácil e pela desinformação.
Nada há de heroico nisso. Há, sim, um traço recorrente da política menor: a tentativa de compensar a ausência de densidade intelectual com deslocamentos geográficos. Quando falta conteúdo, muda-se de cenário. Quando falta argumento, sobra arrogância. E quando falta preparo, recorre-se ao ataque gratuito como método.
O interior do RN não é laboratório para experiências de vaidade política, nem plateia para vereadores em busca de relevância artificial. Municípios sérios, com gestores legitimamente eleitos, não precisam lidar com personagens que confundem mandato com licença para a ignorância performática.
Se o vereador Matheus Faustino tivesse algum compromisso real com o interesse público, estaria estudando os problemas da capital que o elegeu, propondo soluções concretas e respeitando o pacto federativo básico que rege a administração pública. Ao escolher o caminho da provocação desinformada, apenas confirma aquilo que suas atitudes já denunciam: um parlamentar sem estatura política, sem leitura institucional e sem utilidade prática para além do barulho que produz.
A política potiguar agradeceria se houvesse menos exibicionismo e mais responsabilidade. Mas isso, ao que parece, exige preparo. E preparo não se improvisa. Nem mesmo com colete a prova de bala.




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