O senador Styvenson Valentim, que construiu sua carreira política ancorado no discurso de “homem de palavra”, avesso à velha política e aos arranjos partidários, volta a protagonizar mais um capítulo que coloca sua narrativa sob suspeita. Desta vez, o convite para uma possível nova filiação partiu diretamente do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que articula a ida do senador para o Republicanos.

Não é a primeira vez que Styvenson é alvo de sondagens. No ano passado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tentou atraí-lo para o União Brasil. A conversa, no entanto, não avançou. Ainda assim, nos bastidores de Brasília, a avaliação é clara: o senador deverá optar entre se filiar ao Republicanos ou retornar ao Podemos, partido pelo qual se elegeu. Qualquer uma das escolhas representará sua quarta troca partidária desde que ingressou na vida pública.

O problema não está apenas na mudança em si, algo comum no sistema político brasileiro, mas na contradição explícita entre o discurso e a prática. Styvenson sempre fez questão de se apresentar como diferente dos “políticos tradicionais”, criticando duramente o troca-troca partidário e prometendo coerência, estabilidade e compromisso com princípios.

Na prática, porém, o senador parece pular de galho em galho, guiado muito mais pela conveniência do momento do que por uma linha ideológica clara ou fidelidade partidária. A cada novo movimento, reforça-se a impressão de que o combate à velha política ficou restrito ao palanque e às redes sociais, enquanto, nos bastidores, o jogo é jogado com as mesmas regras de sempre.

A insistência em buscar um “lugar ao sol” no tabuleiro político nacional enfraquece o capital simbólico que o senador construiu junto ao eleitorado que acreditou em sua promessa de renovação.

Afinal, se mudar de partido repetidas vezes não é velha política, o que seria? Resta ao eleitor observar com atenção. Porque, em política, mais do que discursos duros e frases de efeito, são as atitudes que revelam quem realmente é quem.

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