
Uma investigação da Polícia Federal identificou o uso de uma conta bancária “laranja”, em nome de uma estudante menor de idade, para ocultar recursos de um suposto esquema de propinas e fraudes em licitações na área da Saúde que atinge o prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do RN, Allyson Bezerra (União). As informações constam em reportagem publicada pela Tribuna do Norte, com base em apuração do jornal O Estado de S. Paulo.
O prefeito é um dos alvos da Operação Mederi, deflagrada no fim de janeiro, que apura o desvio de aproximadamente R$ 13,5 milhões em contratos públicos. Segundo a PF, os valores foram pagos a empresas fornecedoras de medicamentos que, posteriormente, repassavam propinas a agentes públicos.
No centro da investigação está a empresa Dismed, ligada ao empresário Oseas Monthalggan, apontado como responsável por organizar os pagamentos ilícitos. Para ocultar o fluxo financeiro, a PF identificou a utilização da conta bancária da filha do empresário — menor de idade — que movimentou cerca de R$ 427 mil em um ano, valor incompatível com sua capacidade financeira.
A apuração indica que o esquema envolveu municípios como Mossoró, Serra do Mel, Paraú, São Miguel, José da Penha e Tibau. Em Serra do Mel, a Drogaria Mais Saúde recebeu cerca de R$ 1,4 milhão entre 2024 e 2025. A PF aponta ainda a atuação do ex-vice-prefeito do município, José Moabe Zacarias Soares, como operador do esquema.
De acordo com a Polícia Federal, o prefeito Allyson Bezerra e o vice-prefeito Marcos Bezerra estariam no “topo do esquema”, recebendo propinas com percentuais definidos sobre contratos. Ambos foram alvos de medidas judiciais autorizadas pelo TRF-5, que destacou informações da CGU indicando que os ilícitos teriam sido conduzidos pelo alto escalão das gestões municipais.




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