
Enquanto no interior do Rio Grande do Norte a chuva é sinônimo de esperança, fartura e renovação da fé do homem do campo, na capital potiguar ela tem provocado medo, prejuízos e desespero.
Nos últimos dias, diversas cidades do interior registraram boas precipitações. Agricultores comemoram o início de um inverno promissor, açudes começam a receber recarga e a perspectiva de uma boa safra reacende o otimismo em regiões historicamente castigadas pela seca. Em muitos municípios, a chuva é celebrada como verdadeira bênção.
Em Natal, no entanto, o cenário é bem diferente. Desde o último final de semana, a capital enfrenta chuvas intensas e persistentes que já provocaram alagamentos em diversos bairros. Lagoas de captação transbordaram, ruas ficaram intransitáveis e centenas de famílias foram atingidas. Casas foram invadidas pela água, móveis e eletrodomésticos perdidos, e já há registro de moradores desabrigados.
Bairros das zonas Norte, Oeste e Sul registram pontos críticos, com relatos de prejuízos materiais e riscos à segurança da população. A previsão meteorológica indica que as chuvas devem continuar nos próximos dias, aumentando a preocupação das autoridades e dos moradores.
O contraste escancara uma realidade histórica do estado: enquanto o interior luta contra a escassez hídrica, a capital ainda enfrenta sérios problemas de drenagem urbana e planejamento estrutural. A falta de investimentos contínuos em infraestrutura pluvial e manutenção das lagoas de captação volta ao centro do debate.
Entre a alegria do sertanejo e a angústia do natalense, o RN vive dois extremos provocados pelo mesmo fenômeno climático. No interior, a chuva representa vida.
Na capital, neste momento, representa emergência.




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