
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), anunciou na tarde desta terça-feira (17), durante entrevista coletiva à imprensa em Natal, que não disputará uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A chefe do Executivo estadual afirmou que permanecerá no cargo até o final do mandato, em dezembro, para “honrar o compromisso assumido com o povo do Rio Grande do Norte” quando foi reeleita em 2022.
O anúncio foi feito em tom firme e acompanhado da leitura de uma carta aberta ao povo potiguar, na qual a governadora destacou sua trajetória política e justificou a decisão de permanecer à frente da administração estadual.
Segundo Fátima, a escolha é resultado de uma reflexão sobre responsabilidade pública e compromisso com projetos estruturantes em andamento no estado. Entre as obras citadas por ela estão a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR-304 e a conclusão das obras da transposição do Rio São Francisco.
Durante a leitura da carta, a governadora relembrou momentos de sua trajetória política, destacando decisões que classificou como “corajosas”, como a disputa ao Senado em 2014 e a renúncia ao mandato de senadora em 2018 para concorrer ao Governo do Estado.
“Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte. Os mais de um milhão de votos que recebemos quando fui reeleita governadora serão honrados por mim até o último dia de mandato”, afirmou.
Na carta, a governadora também fez críticas indiretas ao vice-governador, Walter Alves, ao afirmar que para viabilizar sua candidatura ao Senado seria necessário que ele assumisse o governo, mas que o compromisso firmado em 2022 teria sido rompido. Segundo ela, o episódio estaria ligado a interesses de setores da “velha elite” política do estado.
Apesar disso, Fátima reforçou que continuará trabalhando para consolidar avanços alcançados durante sua gestão. Ela citou melhorias na segurança pública, regularização do pagamento dos servidores estaduais, recuperação de estradas e ampliação da educação em tempo integral e profissionalizante, com a criação dos Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do RN (IERN).
A governadora também reafirmou seu alinhamento político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse acreditar que o campo político aliado continuará forte nas eleições de 2026. “O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no Senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Lula presidente”, declarou.
A decisão de Fátima Bezerra muda o cenário político para as eleições do próximo ano no Rio Grande do Norte, especialmente na disputa pelas duas vagas ao Senado, que devem ser um dos principais focos da corrida eleitoral no estado. A partir de agora, o Partido dos Trabalhadores deverá trabalhar a construção de um novo nome para representar a legenda na disputa senatorial.
Nos bastidores, lideranças do partido e aliados já começam a discutir alternativas para a vaga, enquanto o governo segue com a agenda administrativa até o final da atual gestão.
Leia abaixo na íntegra, a carta de Fátima Bezerra.

Carta ao povo potiguar,
A coragem sempre me acompanhou, desde quando migrei da paraíba para estudar, até quando renunciei a reeleições, sem falsa modéstia, asseguradas para me lançar a desafios até então impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo. Nunca tive medo da disputa eleitoral pois sempre me coloquei a serviço de um projeto maior de nação e de sociedade, que é maior que minha própria vida. Coragem para disputar o senado, em 2014, colocando em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional. Coragem para renunciar à metade do mandato de senadora, em 2018, para disputar o governo do estado e assumi-lo em situação crítica e precária. Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora. Agora, tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária – por tudo que estará em jogo no senado federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema direita contra a democracia e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte. Esse era o desejo de Lula, do PT e de parte expressiva do eleitorado como já constatado em pesquisas. O que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público. Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve à serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte. Os mais de um milhão de votos que recebemos quando fui reeleita governadora serão honrados por mim até o último dia de mandato. A coragem e, repito, o compromisso, em primeiro lugar com o povo potiguar, me mandam agora ficar e garantir a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco. Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas. Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte: servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas. Esse foi o Estado que herdamos e para o qual não temos o direito de retroceder. O RN hoje não deve aos servidores, tem estradas recuperadas, segurança reconhecida e valorizada. Hoje, no RN, temos o dobro de escolas em tempo integral e profissionalizantes, inclusive uma rede de novos IERNs – O IF potiguar; temos saúde em todas as regiões do estado, dispensando os deslocamentos para Natal para exames e cirurgias; temos novas delegacias da mulher, mulheres sem barreiras para entrar na PM, patrulha Maria da Penha ampliada e um combate firme ao feminicídio. Temos outro estado, meu querido povo potiguar. E eu tenho um amor imenso por essa terra, por nossa gente, por cada cantinho desse Rio Grande que passou a ter Norte, esperança e um futuro promissor. Esse amor me faz ficar, numa decisão que não é pequena nem qualquer. Não ter vaidade nos ajuda a ter sobriedade mesmo frente às injustiças. Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado. Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir. Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luis Inácio Lula da Silva presidente! Fátima Bezerra Natal, 17 de março de 2026.




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