O senador Styvenson Valentim voltou a criticar, em vídeo para as redes sociais, o investimento do Governo do RN em publicidade institucional, estimado em R$ 36,8 milhões. O discurso, marcado por tom agressivo e palavrões, tenta associar o gasto a desperdício em meio a dificuldades fiscais. No entanto, o dado concreto desmonta a narrativa: esse valor representa cerca de 0,14% do orçamento estadual de R$ 25,67 bilhões. Ou seja, trata-se de uma fração mínima dentro da estrutura de despesas públicas, incapaz, por si só, de explicar ou resolver problemas estruturais do Estado.

A publicidade institucional cumpre uma função clara e legítima: informar a população sobre serviços, campanhas educativas, utilidade pública e ações governamentais. Não se trata apenas de “propaganda”, mas de comunicação essencial: desde campanhas de vacinação até alertas de segurança e prestação de contas. Além disso, esse investimento movimenta um setor econômico relevante, sustentando empregos e atividades em TVs, rádios, jornais e portais digitais, inclusive no próprio Rio Grande do Norte, onde muitos veículos dependem dessa receita para operar.

Quando comparado a estados vizinhos, o RN não apresenta qualquer distorção. Pelo contrário, o volume é inferior ao observado em governos como os da Paraíba e de Pernambuco, que tradicionalmente destinam cifras maiores, tanto em termos absolutos quanto proporcionais, à comunicação institucional. Só em 2024, conforme o jornal da Paraíba, o governo daquele estado gastou cerca de 80 milhões com comunicação. Ou seja, o gasto potiguar está dentro de um padrão regional e não representa qualquer exceção ou exagero, como se tenta sugerir.

Chama atenção ainda a contradição política: enquanto critica o Estado, o senador ignora que a Prefeitura de Natal, hoje sob gestão de Paulinho Freire, aliado do seu campo político, destina proporcionalmente mais recursos à publicidade. Soma-se a isso o fato de que o próprio Styvenson, entre os três senadores do RN, liderou gastos com publicidade no último ano. No fim, o ataque que parecia direcionado ao governo acaba atingindo o próprio ecossistema de comunicação — e revela mais um discurso político do que um debate sério sobre finanças públicas.

FONTE: opotiguar.com.br

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