
Por Alan Cardim
Olhamos para o céu e projetamos naves, impérios galácticos, civilizações que venceram a morte e a fome. Criamos futuros onde a humanidade finalmente transcendeu sua própria miséria — não porque sejamos otimistas, mas porque o presente é insuportável demais para ser encarado sem anestesia.
Naves interestelares são o que inventamos para não olhar para o chão que queima. Inteligências artificiais benevolentes são o que sonhamos para não admitir que nós mesmos falhamos como espécie. Alienígenas que nos salvarão são o último recurso de quem já desistiu de ser salvo por si próprio.
A ficção científica não prevê o futuro. Ela escapa do presente. É uma janela falsa para um mundo que não existe — porque o que existe aperta o peito.
No fundo, não acreditamos em Star Wars ou em um super-herói. Nós apenas precisamos, desesperadamente, de uma realidade onde a humanidade tenha dado certo. Nem que seja numa tela, num livro, numa mente.
Porque a verdade é esta: a realidade atual não merece ser habitada sem ficção. E talvez o maior ato de resistência seja continuar inventando mundos melhores — mesmo sabendo que nunca viveremos neles.
Alan Cardim
Gestor Público com formação em Publicidade, Filosofia, Pedagogia e Gestão de Políticas Públicas pela UFRN.
Mestrado em Estudos da Mídia e Educação Pela UFRN.




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