As fortes chuvas registradas nas últimas semanas voltaram a trazer um cenário de esperança para o Rio Grande do Norte. O aumento no número de açudes sangrando e a recuperação acelerada de importantes reservatórios mostram que o inverno tem sido generoso em diversas regiões do estado, especialmente no Agreste e Oeste potiguar. Dados do IGARN apontam que já são 22 reservatórios monitorados operando com 100% da capacidade, um retrato que há poucos meses parecia distante diante dos longos períodos de estiagem.

A sangria de açudes como Paulista, em Patu; Flechas, em José da Penha; Rodeador, entre Umarizal e Rafael Godeiro; e Gangorra, em Rafael Fernandes, reforça a força das chuvas e reacende um sentimento antigo do povo nordestino: o da segurança hídrica. Além disso, reservatórios estratégicos como Oiticica e Santa Cruz do Apodi apresentaram crescimento expressivo, fortalecendo a perspectiva de abastecimento para os próximos meses.

No entanto, o cenário positivo não pode esconder uma realidade preocupante: a desigualdade hídrica entre as regiões do estado continua evidente. Enquanto algumas barragens transbordam, reservatórios fundamentais para o Seridó ainda enfrentam uma situação crítica. O caso mais alarmante segue sendo o açude Itans, em Caicó, com apenas 0,74% da capacidade. Em Currais Novos, os açudes Dourado e Totoró permanecem praticamente secos, situação que preocupa agricultores, criadores e moradores da região.

A recuperação dos grandes reservatórios demonstra avanços importantes na segurança hídrica do RN, mas também evidencia um velho desafio: a irregularidade das chuvas e a necessidade de políticas permanentes de gestão das águas. Não basta comemorar sangrias momentâneas. É preciso planejamento, manutenção de barragens, recuperação de reservatórios assoreados e investimentos em infraestrutura hídrica para garantir que a abundância de hoje não se transforme na escassez de amanhã.

A boa notícia merece ser celebrada. Afinal, ver açude sangrando no semiárido é símbolo de vida, fartura e esperança. Mas o alerta continua ligado, especialmente para cidades do Seridó, onde a seca ainda deixa marcas profundas e lembra que o problema da água no RN continua longe de uma solução definitiva.

Deixe um comentário

Desenvolvido por Civitasbr