A fala do ministro Alexandre de Moraes, ao votar pela condenação de Jair Bolsonaro e aliados no processo da tentativa de golpe, é um alerta que não pode ser ignorado: o Brasil esteve perigosamente próximo de reviver um regime autoritário que já nos custou 20 anos de ditadura.

Quando Moraes afirma que uma organização criminosa não soube perder as eleições, ele traduz em palavras a essência da crise que atravessamos. A alternância de poder é a regra de ouro da democracia. Quem perde assume o papel de oposição e se prepara para a próxima disputa, não tenta subverter o sistema eleitoral, desacreditar as instituições e impor sua vontade pela força.

Ao caracterizar Bolsonaro como líder de um grupo que tramou contra a ordem constitucional, o ministro também desmonta a narrativa de que os atos de 8 de janeiro foram meramente “espontâneos” ou expressão de “indignação popular”. Houve planejamento, reuniões, elaboração de decretos golpistas e tentativa de mobilizar as Forças Armadas. Não se trata de exagero retórico, mas de fatos documentados.

O Brasil não pode tratar esse episódio como um detalhe do passado. A democracia não é eterna nem inabalável; ela precisa ser defendida todos os dias. Quando setores políticos acreditam estar acima da Constituição, o risco de retrocesso se torna real.

O recado de Moraes, portanto, é também um chamado à memória e à responsabilidade coletiva: nunca mais aceitar que a vontade de um grupo, por maior que seja seu poder, se sobreponha ao voto popular. A democracia brasileira sobreviveu ao maior ataque da sua história recente. Cabe a nós, sociedade, garantir que ela não volte a ser ameaçada.

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